sexta-feira, 8 de abril de 2011

Salmo 103

Pr Samuel Lopes da Silva

INTRODUÇÃO.

Os versículos 1 e 2 deste Salmo começam com a expressão: “Bendize ó minha alma, ao Senhor”.

Antes de falar da razão, porque o rei Davi, começa este salmo com a expressão “bendize”, preciso informar o significado do vocábulo Bendizer.

Segundo o Dicionário da Barsa, bendizer é “abençoar; louvar; glorificar”.

Deixemos de lado o abençoar e o louvar e tracemos algumas considerações sobre o glorificar, porque “Bendizer é glorificar”. Nesse caso o versículo poderia ter sido escrito assim: “Glorifique, ó minha alma, ao Senhor”. Mas o que é glorificar? Você poderá responder é bendizer; é louvar. Certo. Porém eu quero mais: glorificar é dar glórias; é prestar culto ou homenagear; é honrar. Nesse caso, os versículos 1 e 2 do Salmo podem ser lidos assim: “Preste culto, ó minha alma, ao Senhor por todos os benefícios que você tem dele recebido e tudo o que há em mim glorifique o seu santo nome”.
Eu não vou citar aqui o que pode existir em você que não glorifica ao Senhor. O apóstolo Paulo recomenda: “Examine-se o homem a si mesmo” I Co 11.28. Cada um de nós deve fazer um introspectivo (que examina o interior), para verificar o que há em si que não glorifica ao Senhor. Isto é de responsabilidade de cada um.
Uma recomendação do versículo 2 é não esquecer de “nenhum dos seus benefícios”
O ser humano é dotado desta virtude negativa: esquecer-se dos benefícios recebidos, por isso, a recomendação do rei Davi à sua própria alma: “e não te esqueças de nenhum de seus benefícios”.

A seqüência do Salmo apresenta quatro atitudes da parte do Senhor: O QUE O SENHOR FAZ; O QUE O SENHOR NÃO FAZ; O QUE O SENHOR É; O SENHOR QUE CONHECE. Vejamos:

I – O QUE O SENHOR FAZ (3-6).

1 – Perdoa todas as iniqüidades (v.3).

Iniqüidade é falta de equidade. Equidade é retidão; é integridade de caráter. O que o texto está dizendo é que o Senhor perdoa toda falta de retidão, toda falta de integridade, de caráter. Como integridade vem de íntegro, que quer dizer inteiro; completo; puro, logo o texto está dizendo que o Senhor perdoa a falta de caráter, dando um caráter puro, honrado Is 1.18.

2 – Sara todas as enfermidades (v.3).

É o próprio Senhor que faz a declaração de que sara todas as enfermidades Ex 15.26; Dt 32.39. É claro que na maioria das vezes temos que recorrer ao médico, que é um ministro de Deus para tratar de nossa saúde, mas isso não significa dizer que é o médico ou são os remédios por ele receitados que curam. Estes são apenas instrumentos usados por Deus para a realização do milagre. Foi por esta razão que o salmista escreveu: “e sara todas as tuas enfermidades”.

3 – Redime a vida da perdição (v.4).

Redimir é o mesmo que remir, e remir é “Libertar do cativeiro pagando o resgate”. Deus nos deu o Senhor Jesus, o qual se entregou voluntariamente para que pagasse com o seu próprio sangue o nosso resgate da ruína, isto é, da vida de perdição I Pe 1.18-23. O ato da salvação é um dom de Deus que se recebe pela graça, por meio da fé em Cristo Jesus Ef 2.8.

4 – Coroa de benignidade e de misericórdia (v.4).

Entre outros significados, coroar é premiar e benignidade é doçura; clemência; bondade. É isto que o Senhor faz: transforma o vil pecador, o homem mau, valente, soberbo, orgulhoso em uma pessoa doce, clemente, bondosa. Não foi por acaso isso que Ele fez com o apóstolo Paulo? Fl 3.4-8.

5 – Faz justiça e juízo a todos (v.6).

Em sua contestação quando do anúncio que Sodoma seria destruída, Abraão perguntou ao Senhor se Ele destruiria o justo com o ímpio, perguntando a seguir: “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” Gn 18.25. Depois de uma série de perguntas, o Senhor da a resposta definitiva: “Não destruirei a cidade por amor dos dez” Gn 18.32. Isto quer dizer que o Senhor não destruiria a cidade se houvesse apenas dez pessoas justas ali.

II – O QUE O SENHOR NÃO FAZ (9-10).

1 – Não repreende para sempre (v.9).

Deus sempre está dando uma oportunidade de arrependimento. Quando Ele repreende faz como um pai Hb 12.5-11.

2 – Não conserva a ira para sempre (v.9).

A misericórdia de Deus é tal que Ele como se estivesse esquecido das nossas maldades, nos proporcionou a salvação através da morte de Seu Filho, o Senhor Jesus e declara em Hebreus 10.17 “E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades”.

3 – Não nos trata segundo os nossos pecados (v.10).

O escritor do livro Lamentações nos informa que se não fosse a misericórdia do Senhor, nós se quer existiríamos (Lm 3.22), é isso que afirma a segunda parte do versículo 10. “Nem retribui segundo as nossas inquidades”.

III – O QUE O SENHOR É (8, 11).

1 – Misericordioso (v.8, 11).

O Senhor tem compaixão de nós pela nossa miséria.

2 – Piedoso (.8).

Ser piedoso é ser compassivo e ser compassivo é ter compaixão, ser compadecido.

3 – Longânimo (v.8)

Ser longânime é ter longanimidade, isto é, ter paciência para suportar ofensas.

4 – Grande em benignidade.

IV – O SENHOR NOS CONHECE (v.14).

Ninguém melhor que o autor do Salmo 139, que foi o próprio Davi, para provar que o Senhor nos conhece, basta para isso ler o versículo 16 deste salmo: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia”.

Isto é conhecer. Deus conhece os Seus servos.

CONCLUSÃO.

Davi encerra o salmo dizendo para todas as criaturas bendizerem ao

Senhor (20-22), e por fim: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor”.

fonte: http://prsamuellopes.blogspot.com/

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu quero ser um vaso novo


O profeta Jeremias foi chamado a descer à casa do oleiro para receber uma mensagem de Deus para a nação de Judá (Jr 18.1-6). Ali ele viu o oleiro trabalhando sobre as rodas, moldando o barro e fazendo dele um vaso novo. O vaso havia se estragado nas mãos, mas em vez do oleiro jogar o vaso fora, fez dele um vaso novo. Esse episódio encerra algumas preciosas lições:

1. Deus não desiste de você, mesmo quando você falha em cumprir seu propósito (Jr 18.4). O oleiro não jogou no lixo o vaso que se lhe havia estragado nas mãos. Ele não o colocou num canto como algo imprestável. Ele não desistiu desse vaso, mas fez dele um vaso novo. Assim, também, Deus não desiste de você. Mesmo quando você se torna como um barro sem liga ou como um vaso estragado, Deus continua investindo em sua vida. Ele não abre mão de fazer de você um vaso novo. Deus não desiste de fazer um milagre em sua vida. Ele não abdica do direito que tem de fazer de você um vaso de honra, um vaso útil, preparado para toda boa obra. Mesmo quando você cai, fracassa e se desvia, Deus não considera você como sucata imprestável. Ele não olha você com desprezo. Como oleiro divino, ele investe em sua vida e transforma você, para que você cumpra os propósitos eternos que ele mesmo estabeleceu para sua vida.

2. Deus não faz apenas remendos em sua vida; ele faz de você um vaso novo (Jr 18.4). O oleiro não remendou o vaso que se lhe havia estragado nas mãos. Ele não se contentou com meias medidas. Ele fez um vaso novo. A obra de Deus em você é completa. Ele faz de você uma nova criatura. Ele não quer apenas uma reforma externa, um verniz de aparência. Ele quer dar-lhe uma nova vida, uma nova mente, um novo coração, uma nova família, uma nova pátria. Deus tem para você uma vida nova, com novos gostos, novas preferências, novos alvos, novos sonhos, novos compromissos. A vida com Cristo é novidade de vida. É vida santa, é vida no altar, é vida cheia do Espírito, é vida abundante, maiúscula, superlativa, eterna. A obra de Cristo em você é um milagre extraordinário. Portanto, você deve despojar-se dos trapos da murmuração e revestir-se com as vestes de louvor. Você deve largar para trás o espírito angustiado e cobrir-se com roupagens de louvor e óleo de alegria.

3. Deus não faz de você um vaso segundo o seu querer, mas um vaso segundo o seu propósito soberano (Jr 18.4). Deus fez do vaso que se lhe havia estragado nas mãos um vaso novo, segundo bem lhe pareceu. A obra de Deus em você não é conforme os ditames da sua vontade, mas conforme os propósitos soberanos do próprio oleiro divino. Deus tem o melhor para você. Os planos de Deus para a sua vida são mais elevados do que os seus próprios sonhos. O projeto de Deus para a sua vida são mais altaneiros que os seus próprios projetos. A vontade de Deus e não a sua deve prevalecer em sua vida. Ele é o oleiro, e você o barro. Não é o barro que manda no oleiro; é o oleiro que molda o barro. O oleiro tem o direito de fazer do barro o que lhe aprouver. O oleiro divino que molda você é o mesmo que espalhou as estrelas no firmamento e o mesmo que lançou os fundamentos da terra. O oleiro divino está empenhado em esculpir em você a beleza de Jesus. Seu projeto eterno é transformar você à imagem do Rei da glória. Ele lhe predestinou para você ser conforme à imagem do seu Filho. Deus jamais desistirá desse projeto. Seus planos não podem ser frustrados. Se preciso for, ele vai quebrar o vaso e fazê-lo de novo. Mas, jamais vai desistir de fazer de você, um vaso de honra.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Fonte:http://hernandesdiaslopes.com.br/2010/01/eu-quero-ser-um-vaso-novo/



quarta-feira, 30 de março de 2011

CIÊNCIA NO LIVRO DE JÓ

Laurence A. Justice

Jó 26:7

A Palavra de Deus não é principalmente um livro de ciência. As Escrituras não foram planejadas para nos ensinar ciência física.

Não encontramos nenhum estudo formal sobre ciência na Bíblia e não devemos procurar tais estudos na Bíblia. No entanto, a Bíblia faz algumas declarações realmente científicas.

Nós realmente encontramos declarações e dicas sobre verdades científicas na Palavra de Deus.

Um astrônomo chamado Dr. Maurice Brackbill declarou, como resultado de seu estudo das Escrituras, que há 325 referências à ciência física nas Escrituras.

Os que promovem a teoria da evolução hoje muitas vezes afirmam que há muitos conflitos entre a Bíblia e os fatos científicos.

Isso simplesmente não é verdade. Não há nenhum conflito entre a ciência verdadeira e a Palavra de Deus! Nenhum fato comprovado da ciência entra em conflito com a Palavra de Deus.

Um dos problemas aqui é que alguns fatos científicos “tão chamados” não são de modo algum fatos, mas só teorias e hipóteses de homens.

Se o Deus que adoramos criou este universo e também inspirou as Escrituras, então temos de esperar que Ele seja correto em todas as declarações que Seu livro poderia fazer acerca da ciência física! E é exatamente isso o que encontramos nas páginas da Palavra de Deus!

Nesta mensagem, vamos examinar vários exemplos de declarações verdadeiramente científicas no livro de Jó e então examinar algumas em outras partes da Palavra de Deus.

Precisamos ter em mente aqui que os eventos registrados no livro de Jó ocorreram há cerca de 4.000 anos. Nesta mensagem, vamos examinar primeiro



A DECLARAÇÃO CIENTÍFICA NO TEXTO QUE ESTAMOS ESTUDANDO

“O norte estende sobre o vazio; e suspende a terra sobre o nada.”

O que mantém a terra suspensa? O que a mantém em seu lugar no espaço?

Os antigos gregos criam que a terra era mantida suspensa nas costas e ombros de um homem bem forte chamado Atlas.

Atlas, assim pensava-se, ficava em pé na água, mas ninguém jamais disse o que é que havia debaixo da água o sustentando.

A mitologia hindu diz que a terra apóia-se nas costas de um elefante de pé em cima de uma tartaruga!

A ciência moderna descobriu que nenhum homem ou animal está segurando a terra, mas que é realmente a terra que está suspensa no espaço.

Jó 26:7 disse isso 4.000 anos atrás quando ele disse que Deus suspende a terra em cima do nada!

“O norte estende sobre o vazio; e [Deus] suspende a terra sobre o nada.”

Essa declaração soa espantosamente como ciência no século 21 d.C, não é?

Jó diz que Deus suspende a terra em cima do nada — como uma bola de basquetebol no ar.

Ele a suspende em cima do nada ou literalmente em cima do vazio, sem nada visível apoiando-a.

Pelo poder do Deus onipotente a terra está firmemente fixa no lugar.

Podemos firmar os pés em cima da terra e confiar o peso de nossos corpos a algo que está suspenso em cima do nada!

Vê-se a onipotência de Deus no fato científico declarado neste texto hoje!

O homem por sua própria capacidade não consegue manter suspensa uma pena em cima de nada, mas Deus mantém suspenso o mundo inteiro em cima do nada!

Deus suspendeu não só a terra, mas também os outros planetas, o sol e a lua em cima do nada!

Deus suspendeu a terra no espaço e a preserva em sua órbita. A terra está suspensa pelo grande poder e providência de Deus.

O apóstolo Paulo diz em Hebreus 1:3 que a terra e todas as coisas são sustentadas pela Palavra do poder de Deus. Ele está falando de Cristo, Deus o Filho, aqui quando diz:

“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas”.

Paulo diz praticamente a mesma coisa em Colossenses 1:17 quando fala de Cristo e diz que “…todas as coisas subsistem por Ele” ou são mantidas juntas por Ele.

O texto que estamos examinando diz literalmente: “O norte estende sobre o vazio; e suspende a terra sobre o nada.”

Quanto Jó entendia disso? Será que essa declaração é exclusivamente inspiração de Deus? Vamos examinar nosso seguinte estudo:



ALGUNS OUTROS EXEMPLOS DE DECLARAÇÕES CIENTÍFICAS NO LIVRO DE JÓ

1. As fontes no mar. Só durante minha vida a ciência descobriu que bem no fundo do oceano grandes fontes de água se esvaziam no mar.

Muitas delas contêm água quente e têm grande variedade de vida animal e vegetal vivendo perto de onde as fontes se esvaziam no mar.

Jó 38:16 falou dessas fontes no mar há quatro mil anos quando disse:

“Ou entraste tu até às origens do mar, ou passeaste no mais profundo do abismo?”

Em Gênesis 7:11 Moisés mencionou essas fontes no mar em conexão com o dilúvio da época de Noé quando ele disse que as fontes do grande abismo se romperam.

“No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia, se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram”.

2. O peso do ar e das águas. A ciência moderna aprendeu que o ar tem peso e que a água tem peso.

A ciência aprendeu que a atmosfera pesa 6.35k por polegada cúbica no nível do mar e que um galão de água pesa 3.778k.

Jó 28:25 diz que Deus fez o vento e a água para terem peso.

“Quando deu peso ao vento e tomou a medida das águas”.

segunda-feira, 14 de março de 2011

"A Letra mata, mas o Espírito Vivifica"


O texto de II Coríntios 3:6 revela contraste importante entre a impropriedade do sistema da lei no Velho Testamento e a eficácia da salvação em Cristo. A "letra" representa o "ministério da morte, gravado com letras em pedras" que foi dado aos israelitas através de Moisés (3:7, 3). O “Espírito” representa a nova aliança de Cristo, revelada através do Espírito Santo e escrita em nossos corações (3:3, 4,6,8).
Infelizmente esse texto tem sido arrancando de seu contexto e distorcido, o seu verdadeiro significado tem sido ocultado, encontrando assim, espaço para a apologia ao anti-intelectualismo bíblico, afirmando que o estudo cuidadoso da Bíblia é inútil e até perigoso, "porque a letra mata, mas o Espírito vivifica”, menosprezando a própria Palavra de Deus!

Ainda dentro do contexto de II Coríntios 3, Paulo orienta sobre a importância da Palavra de Deus,destacando seu real valor (4:2), fala da verdade (4:2), do conhecimento da glória de Deus (4:6), da liberdade (3:17).

Portanto, convém lembrar que a fonte confiável que nos leva ao conhecimento de Deus é a Sua Palavra “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor...” (Os.6:3)

Pb. Francisco de Aquino


terça-feira, 8 de março de 2011

7 nomes de Deus no Salmo 23


O Senhor é o Deus Eterno, o Deus que fez uma aliança com Israel. Os nomes compostos de Deus no AT refletem o conteúdo deste salmo.


“Nada me faltará” – Adonay Yiré – “O Senhor que vê e provê” (Gn 22.14)

“Águas de descanso” – Adonay Shalom – “O Senhor é Paz” (Jz 6.24)

“Refrigera-me a alma” – Adonay Rafá – “O Senhor que te cura” (Ex 15.26)

“Veredas da justiça” – Adonay Tsidkenu – “Senhor, Nossa Justiça” (Jr 33.16)

“Tu estás comigo” – Adonay Shamá – “O Senhor está Ali” (Ez 48.35)

“Na presença dos meus adversários” – Adonay Nissi – “O Senhor é a minha bandeira” (Ex 17.15)

“Unge a minha cabeça” – Adonay Mekadesh – “O Senhor que me Santifica” (Lv 20.8)

Nele, que é o nosso Roy (Pastor),

Pr Marcelo Oliveira

fonte:http://www.davarelohim.com.br/7-nomes-de-deus-no-salmo-23/

domingo, 27 de fevereiro de 2011

"A Teologia me fez mal"

                                                  Por Francisco Jr.



Já ouvi muitas vezes, em círculos cristãos, alguém insinuar ou dizer mesmo com todas as letras que "teologia faz mal ou a teologia me fez mal..." Mas, de qual teologia estamos falando? Se for da teologia que declara a inerrância e suficiência da Bíblia e o amor por sua verdade; enfatiza a realidade da queda humana e a soberania de Deus na Salvação; a importância da obra da Cruz de Cristo, e é trinitariana e teocêntrica, então não é apenas de um compêndio na prateleira de uma biblioteca, ou de um curso de faculdade, que estamos falando, mas da teologia que "refere-se ao estudo, ao conhecimento, à comunicação e ao ensino de Deus, e à aprendizagem sobre Deus." (John Frame) E se "fazer mal" é derrotar o antropocentrismo, então graças a Deus, a teologia faz mal mesmo. Fez mal a mim, e por esse parâmetro faz e fará mal a muita gente.

Não somos o centro do universo e por isso a teologia nos causa dor e desconforto. A teologia, entre outras coisas, trata da questão da nossa relação com o Criador, e não há substitutos para ela (Tozer). Nosso menosprezo pela teologia, só reforça a idéia de que continuamos nos escondendo de Deus, constrangidos por nossa condição pós-queda (Gn. 3.8). E, nos escondemos muitas vezes, em nome de uma suposta espiritualidade (sem conhecimento); na presunção de uma eleição (sem frutos); escondemo-nos numa adoração (sem devoção), e ainda, numa floresta de pecados tentando fingir que Deus não está presente.

Na verdade, a idéia de que teologia faz mal, está fortemente enraizada, no mesmo conceito distorcido de que “a letra mata”. É o mesmo antiintelectualismo de sempre, que ganhou força, segundo Nancy Pearcey (Verdade Absoluta, CPAD, Rio de Janeiro, 2006), na origem do evangelicalismo do século XIX. O pragmatismo que estava no nascedouro do movimento evangelical levou a uma abordagem hostil em relação à teologia que persiste em nossos dias, como descreve Mcgrath:

A natureza fortemente pragmática do movimento (evangelical), levou a uma ênfase no crescimento da igreja, pregação de sentir-se bem e estilos de ministério informados em grande parte pela psicologia secular. O papel da teologia clássica sofreu erosão séria, com seminários evangélicos deixando de dar-lhe o lugar de honra que antes lhe fora universalmente atribuído. A teologia não é mais vista como integral para manter e nutrir a identidade cristã no munddo, nem como recurso seminal em forjar novas abordagens para o ministério. (McGRATH, Alister. Paixão Pela Verdade. Shedd Publicações, São Paulo, 2007)

É importante salientar que a teologia nutre a genuína identidade cristã em nós. Portanto, se faz mal, o faz às práticas que distorcem o ensino cristão, como podemos ver nos exemplos que seguem:

Faz mal ao homem caído, que recusa aceitar a triste realidade do seu estado. Prefere pensar que tem algo de bom, ou que tem capacidade de escolher o bem por conta própria. A este com certeza a teologia fará mal, pois vai lhe dizer, sem clichê ou brandura, és "um desgraçado, pobre cego e nu” (Ap.3.17); vai mostrar a profundidade da queda em todas as áreas do seu miserável ser, e deixar-lhe ciente da sua total incapacidade de se reerguer.

Faz mal ao orgulhoso, que tem fortes dores de cabeça ao pensar que a salvação não depende dele, afinal, em seu conceito a graça de Deus "precisa" da sua boa vontade e do seu esforço também. A este a teologia vai dizer que "tudo provem de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo" (2Co.5.18), não deixando qualquer espaço para vangloriar-se na presença de Deus.

Faz mal ao soberbo o suficiente para imaginar que escolheu a Deus, e foi soberano nesta escolha, satisfazendo um deus que busca desesperadamente a aceitação dos homens. A este a teologia vai dizer sem rodeios que foi o Senhor que "nos escolheu antes da fundação do mundo" (Ef.1.4; Jo.15.16)

Faz mal ao arrogante. Há uma tendência atual, de colocar o homem como centro e medida de todas as coisas. Há um culto à auto-estima sendo prestado em lugar de culto ao Deus verdadeiro. Temos líderes enaltecendo a arrogância e difamando a humildade. Já presenciei reuniões em que o culto é interrompido e todos ficam de pé para a entrada triunfal do líder e sua comitiva, até mesmo no momento em que a Palavra esta sendo pregada. E ninguém questiona essa aberração! Não tem como a boa e salutar teologia não fazer mal num ambiente como esse. A glória que só pertence a Deus está sendo usurpada!

Ninguém pode estudar a Bíblia sem dizer que está estudando teologia, ninguém pode estudar teologia sem estudar a Bíblia. Claro que más atitudes podem persistir - e persistem - na vida de qualquer estudante de teologia, tenha ele motivos nobres ou não. Mas isso acontece por causa da queda e não da teologia. Parafraseando Michael Horton (Creio, Cultura Cristã, São Paulo, 2005), dizer que teologia faz mal é o mesmo que dizer que estudar a Biblia faz mal, ou conhecer a Deus é ruim.

O segredo da vida é teológico e a chave para o céu também. Aprendemos com dificuldade, esquecemos facilmente e sofremos muitas distrações. Devemos, portanto, decidir com firmeza estudar teologia. Devemos pregá-la do púlpito, cantá-la em nossos hinos, ensiná-la aos filhos e fazer dela tema de conversa quando nos reunimos com os amigos cristãos (TOZER, A.W., O melhor de A.W.Tozer, Ed Mundo Cristão, São Paulo, 1994)

Àquele que nos escolheu antes da fundação do mundo e nos guia pelo caminho da verdade, em quem está toda sabedoria e todo conhecimento, seja a glória pelo século dos séculos.

fonte: Blog Adoração e Pregação http://adoracaoepregacao.blogspot.com/2011/02/teologia-me-fez-mal.html

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Abba, Pai!


Quando viveu como homem nessa terra, Jesus participou de uma intimidade com Deus como nenhum outro homem ousou experimentar. Jesus era envolvido de um relacionamento íntimo com o Pai e habitado pelo Espírito do Pai ,chamou Deus por um nome que expressava toda essa proximidade,causando escândalo aos líderes religiosos de sua época e abalando a opinião pública de Israel, o nome que o identificava intimamente com Deus era: “Abba”.

As crianças judias só usavam essa forma íntima de expressão em relação aos seus pais. Como um termo a ser usado em relação ao próprio Deus, no entanto, nunca se havia usado(ou ousado) tal forma coloquial, não só no judaísmo, mas em nenhuma outra religião do mundo. "Abba”, como forma de se dirigir a Deus, é única e original de Jesus. O mundo religioso do I século foi confrontado com essa nova e íntima expressão em relação a Deus. Essa maravilhosa expressão nos foi revelada por Jesus, o Filho Amado, não guardou essa experiência de proximidade com Deus para si mesmo. Ele não só abriu as portas para esse relacionamento,como também nos chamou para compartilharmos do mesmo relacionamento íntimo e libertador com o Pai.

Segundo o apóstolo Paulo "... porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: 'Aba, Pai'. O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus" Rm 8:14-16. João, o discípulo "a quem Jesus amava", escreveu: "Pensem no amor incrível que Deus demonstrou para conosco ao permitir que sejamos chamados 'filhos de Deus' e não somos apenas chamados assim, mas de fato somos filhos de Deus" 1Jo 3:1.

Participemos então deste relacionamento próximo com o nosso “Paizinho”,seguindo assim o exemplo do Filho, vamos nos aproximar intimamente do Pai.

Pb. Francisco de Aquino, membro da Igreja “O Brasil para Cristo” Kemel – Poá e professor do Instituto Bíblico O Brasil para Cristo (I.B.B.C.) em Suzano e Poá.